animae manifestum

diz, pede, sugere, pergunta, comenta, manifesta-te!   animaemanifestum@gmail.com
Projecto a fermentar.

Projecto a fermentar.

— 2 weeks ago
Falsas concepções

Chateia-me muito quando ouço falar sobre o que não se sabe, sobre o que se pensa que se sabe. Principalmente quando isso tem repercussões a nível comportamental. Sobre comida o que não falta são mitos e ideias feitas, falsas noções que abrangem todo o espectro deste mundo que é para mim fantástico, pelo paradoxo da sua simplicidade e extrema complexidade, onde o mais puro irreflectido prazer depende das mais complexas combinações bioquímicas ainda tão distantes da nossa compreensão. Controlamos o que comemos, dentro das nossas limitações, mas não conseguimos controlar o efeito que isso tem em nós. 

Adoro comida, cozinhar e comer. Entusiasma-me, desafia-me e às vezes chateia-me. Gosto de explorar, experimentar, analisar minuciosamente o que é que torna algo delicioso ou absolutamente intragável, perceber o quê e porque é que há algo num alimento que outrora não gostava mas que agora me faz adorá-lo. Como devagar quase tudo menos gelados, devoro-os. Mas sim, gosto de dar tempo a cada dentada para se revelar ao meu paladar, perceber porque é que o ensopado de borrego é o meu prato preferido. Quanto mais tempo passa sem beber um copo de vinho mais bem me sabe quando o faço. Intriga-me a satisfação que encontro numa simples banana, a diferença que ocorre nas minhas caibras, sim tenho muitas, quando como uma todas as semanas, porque é que o pão com manteiga é resposta veemente para muitos quando questionados sobre a sua comida de conforto ou porque é que algumas pessoas não gostam de chocolate. Penso, reflicto, questiono muito, às vezes demais, sobre tudo e sobre o nada e muitas vezes não chego a lado nenhum senão à conclusão de que nada é certo e por isso mais vale prender-me às minhas próprias conclusões, às minhas verdades que sempre são mais simples que as outras. Seja esta a minha obsessão, é para o lado que durmo melhor. Bom, não é bem verdade porque por vezes a obsessão não deixa dormir. O que não me faz sentir qualquer vontade em mudá-la.

Intriga-me por exemplo o conteúdo deste copo, que reúne na perfeição o panna cotta doce, que desliza na boca como um creme vaidoso exibindo toda a sua sumptuosidade, e o travo agri-doce das cascas da compota de limão, como uma adolescente rebelde que recusa à outra total protagonismo. É ela que deixa um sorriso na cara daqueles que, silenciosos, raspam ruidosamente os pequenos copos de vidro.
E assim se quebram as falsas concepções: converte os que acham que uma refeição só está comppleta com massa, arroz ou batata sobre a mesa, aqueles que substimam o poder de uma salada, os que acham que tem de ficar cheios para ficar bem, os que tiveram uma experiência infeliz ou que teimam na sua relutância contra um simples doce de natas e os que se dizem intolerantes à acidez do limão.

Salada de Tomate e Manjericão com Carapau Grelhado
inspirada pelo livro do Jamie Oliver, Cozinhar com Jamie Oliver

4 mãos bem cheias de tomates-cereja
sal marinho e pimenta preta acabada de moer
azeite virgem-extra
vinagre balsâmico
1 dente de alho pequeno, ou 1/2 grande, picado muito finamente
1 punhado de manjericão fresco

4-8 carapaus médios
óleo, para pincelar 

Cortar os tomates de diversos tamanhos: ao meio, em quartos longitudinalmente, transversalmente ou deixar inteiros e colocar directamente numa saladeira larga e rasa, para que fiquem todos igualmente cobertos pelos molhos e sucos. Temperar com uma pequena pitada de sal grosso, uma dose generosa de azeite e cerca de 1/3 dessa dose de vinagre, pimenta e o alho.
Dividir as folhas de manjericão entre as grandes e as mais pequenas. Rasgar cuidadosamente, sem manusear muito as folhas grandes. Se “amachucarem” demasiado as folhas elas perdem todo o seu aroma para as vossas mãos. Juntar aos tomates e envolver tudo com as mãos muito bem. Provar e rectificar o tempero se for necessário.
Aconselho vivamente fazer a salada alguns minutos (10 é mais que suficiente) para que os sabores se intensifiquem e se fundam totalmente.
Finalizar com as folhas pequeninas de manjericão, só mesmo porque fica bonito e servir - não se esqueçam da colher para apanhar os sucos da saladeira e colocar sobre o vosso prato!

Como o carapau é um peixe magro e que pode ter tendência a ficar demasiado seco ao grelhar, é preferível pincelar com um bocadinho de óleo até mesmo para não se colar na grelha. De resto é só temperar com sal grosso e colocar na grelha quente até ficar cozido ao vosso gosto e dependendo do tamanho dos carapaus: estes foram cerca de 7-8 minutos de cada lado.

serve 4 

Panna cotta com geleia de limão

500ml de natas magras
50g açúcar
1/2 c.chá de extracto de baunilha
12,5g (3 folhas) de gelatina + 50ml de água gelada
um ramo de erva cidreira, opcional

Para desenformar a panna cotta antes de servir, ólear ligeiramente 4 copos ou recipientes com óleo sem sabor.
Amolecer as folhas de gelatina na água gelada durante 5-10min. Após isso, expremer bem.
Aquecer as natas e o açúcar numa panela juntamente com a erva cidreira para fazer uma infusão, mexendo constantemente para não formar uma película sobre as natas. 
Quando o açúcar estiver dissolvido, remover do lume e adicionar o extracto de baunilha.
Retirar a erva-cidreira das natas, colocar as folhas de gelatina na mistura e mexer gentilmente até a gelatina se dissolver completamente.

serve 4

Geleia de limão
Nesta altura do ano não há hipótese senão dar asas à imaginação para aproveitar a dose magistral de limões oferecida. Em panna cotta, sobre um bolo de chocolate ou com um simples scone à hora do lanche, esta geleia é ideal para quem tem a boca doce mas que também gosta de sentir as papilas a saltitar com o travo ácido quanto baste da casca do limão.

6 limões de tamanho médio
1 1/2 chávena (cerca de 300g) de açúcar  

Lavar bem os limões e secá-los. Cortar os limões ao meio, expremê-los e reservar o sumo. Com uma colher, contornar as paredes internas das metades do limão para retirar totalmente a polpa e a película dos gomos. O processo é semelhante a comer uma meloa ou um kiwi com uma colher.
Cortar as cascas dos limões com uma faca bem afiada em tiras muito finas, com cerca de 3-4mm de espessura.
Colocar as cascas numa panela grande com 4 chávenas de água gelada e levantar fervura. Deixar ferver durante 1 minuto, escoar as cascas e passá-las por água fria corrente. Repetir o processo mais duas vezes. na última vez, escoem as cascas mas não é passem por água.
Devolver as cascas à panela, adicionar o sumo expremido e o açúcar. Deixar ferver e cozinhar a lume médio, mexendo para dissolver o açúcar. Retirar qualquer espuma que se acumule sobre o preparado e deixar ao lume até a geleia ficar firme, cerca de 30 minutos. Podem fazer o teste colocando um pouco da geleia sobre um prato, esperar que arrefeça e tocar com o dedo para verificar a consistência. Se escorrer e estiver demasiado líquida e não gelatinosa é porque ainda não está no ponto, mas tenham cuidado porque se deixam demasiado tempo também fica demasiado concentrada e perde a consistência desejada.
Verter a compota em frascos esterilizados e deixar arrefecer antes de servir.

faz cerca de 500ml

MONTAGEMColocar cerca de 2 colheres de sopa de geleia em cada copo preparado.
Dividir a panna cotta pelos copos e refrigerar até ficar firme, que deverá levar 3-4h.
Após refrigerar, passar uma faca afiada pelo copo e desenformar num prato ou servir simplesmente dentro do copo.

a ouvir: I’ll Take Care Of You - Gil Scott-Heron & Jamie XX

— 2 years ago
#doces  #doces e compotas  #na grelha  #saladas  #tomate  #ervas aromáticas  #limão  #natas  #peixe 
de volta :)

Fresca, com novidades e maravilhosamente bem nutrida!

Estejam atentos às próximas novidades.

"…para bailar en Las Ramblas se necesita lo Passeig de Gracia. Lo Passeig de Gracia para mí para tí ay arriba ay arriba!

— 2 years ago
#not about food 
que me voy hijos!

As coisas não podem estar assim tão más quando se está prestes a viajar para Barcelona. Aliás, as coisas não podem estar assim tão más quando se está prestes a viajar, ponto. 
O que se faz quando se tem um bom pedaço de queijo feta no frigorífico que sabemos que não irá durar até ao meu regresso é o que mostrarei de seguida. Incrível como o que improviso é o que sai sempre melhor, fico mesmo feliz. Ou então é só sugestão minha por querer acreditar que o fruto do instinto é o que sabe melhor. Anyway, it works for me.

E não posso deixar de vos apresentar o D.O.P - o meu mais recente projecto da faculdade. Enjoy. 

observação: Portugal, Espanha, Grécia… estranha a mistura de culturas que por aqui paira!

image

Caçarola à grega (odeio a expressão à - , mas é o que faz mais juz à coisa)

Mum didn’ like the lemon. Mas eu adorei. Em caso de dúvidas, cortem o limão às fatias e deixem ao gosto de quem vai apreciar o vosso belíssimo jantar.
Precioso, te digo!

1 c.sopa de azeite
1/2 cebola grande, picada
6 dentes de alho, laminados
2 folhas de louro, partidas
100ml de vinho branco
150ml de polpa de tomate
2 c.sopa de oregãos
2 tomates médios bem maduros, cortados em pequenos pedaços
4 postas de pescada, cozidas e arranjadas (espinha e pele retiradas) e a água da cozedura reservada
600g camarão sem casca, congelado
sal e pimenta 
1/2 limão
200g de queijo feta
azeitonas galegas, a gosto

4 pães pita, para servir 

Aquecer o azeite numa caçarola ou frigideira larda. Juntar o alho, a cebola e o louro, deixando alourar 3 minutos.
Adicionar a polpa de tomate, os tomates, o vinho, 1 colher de sopa de oregãos, cerca de 100ml da água da cozedura do peixe, sal, pimenta e 4 tiras da casca de limão. Deixar cozer 7-10 minutos até reduzir e engrossar o molho.
Adicionar o camarão e a pescada despedaçada, envolver tudo e deixar ao lume até o camarão estar cozido.
Provar e rectificar o tempero se for necessário e retirar do lume.
Polvilhar com o feta desfeito e finalizar com um fio de azeite, o sumo do limão, o resto dos oregãos ou mais a gosto e azeitonas.
Servir quente com pedaços de pão pita bem tostado. 

serve 4

a ouvir: Little Red Rooster - Big Mamma Thornton

Hasta Domingo!

— 2 years ago with 1 note
#camarão e gambas  #peixe  #na frigideira  #na panela  #grega  #queijo 
BENS

Não é fácil assistir a uma lenta e psicologicamente excruciante degradação mútua entre pessoas supostas de serem as mais importantes das suas vidas. A cassete não muda. Tudo é expectável. A rotina dita a ordem das coisas, pega nos peões e move-os no tabuleiro num percurso previsível, de jogadas repetidas de ataque e contra-ataque. A ansiedade antecipada apenas declara o final já conhecido. 

Quando é assim no local dito nosso “refúgio”, há que me refugiar em outro lugar. Enquanto Barcelona não vem, será num café, num livro, numa caneta e num caderno, num amigo, no Sol e nestes BENS que vos deixo.

- os feeds diários, autênticos regales para os olhos do Canal House.

- um concerto muito especial.

- uma Lindsey Wixon que eu nunca pensei que pudesse existir!

- esta fotografia.

- o filme que mudou a minha vida.

- as-minhas-novas-pérolas.

- o alerta para uma mudança massiva.

- o “Melancholia” novinho nas minhas mãos.

- a sensação tão old school e preciosa de ver pela primeira vez as fotografias reveladas após muitos anos de digital.

- Keri Smith sobre a cultura.

- o calorzinho bom que se faz sentir nas horas de almoço no pátio da faculdade.

- o reconhecimento e franca satisfação por um trabalho bem feito com um grupo fantástico.

- provei o Tofu que aqui falei e gostei. Se bem que o molho e as sementes e ervas maravilhosas são os verdadeiros protagonistas.

- gente que lê.

- o homem mais lindo, não podendo deixar de mencionar também este.

- Gill & Jamie.

- a visão do leito perfeito.

- mel, o açúcar no seu esplendor.

- fantásticos projectos de autor como este.

- a audácia deste senhor.

- o melhor da produção televisiva nacional actualmente.

Bird by bird, bird by bird… tentei escolher um excerto que espelhasse de algum modo a genialidade deste livro, tudo aquilo que acarreta mas não consigo. Creio que o que vem escrito na contracapa é um bom começo. É para quem gosta de escrever e de ler mas que provavelmente precisa de um empurrãozinho. Mas também é acima de tudo para quem sentir uma urgência enorme em ver as coisas fora de si. O Ensaio sobre a Cegueira, lido por mim no alto dos meus 16 anos tem escrito na contracapa uma frase que nunca fiz qualquer esforço por me lembrar, mas que aqui ficou: Se puderes olhar, vê. Se puderes ver, repara.

- ler poemas de tempos antigos que me remetem para os meus frescos tempos antigos.

- torrada de pão alentejano, encomendado directamente do Alentejo semanalmente pela minha velhinha preferida do coração, com manteiga e sumo das melhores laranjas de sempre do quintal da minha velhinha preferida do coração.

— 2 years ago
#bens  #pequenos-almoços  #pasta  #tofu 
só, mas bem alimentada

Por vezes temos de ceder coisas como um almoço de família cujo prato principal é o nosso preferido (aka ensopado de borrego) em nome de coisas maiores como trabalhos de faculdade.

Mas o prazer de cozinhar ninguém me o tira. Nem de comer.

Fatia grossa de pão alentejano tostada com alface, rúcula, espinafres e agrião sobre finas tiras de chouriço alentejano estaladiças e torradas, frigidas a seco na frigideira com alho lâminado, cobertas com ovo escalfado, um simples vinagrete de alho e limão e umas pedrinhas de sal e pimenta moída na hora.


a ouvir: They Can’t Take That Away From Me - Billie Holiday

— 2 years ago
#lunch  #pão  #chouriço  #ovo 
Salada de meias e pitadas

Meia dourada grelhada, meia couve-chinesa pequena, uma cenoura gigante, meio alho-francês e meio pimento (vá, foi um terço). O molho foi medido em pitadas e sorvedelas pela colher até ficar no ponto.

Assim tem sido maioritariamente os meus almoços escolares. Graças a uma avó filantropa que nos presenteia pontualmente com tabuleiros de comida de forno e sopas generosas e a um ocasional tabuleiro de caldeirada ou favas com chouriço que sobra do ST, a comida não se esgota. Os meus percursos diários na companhia da CP são preenchidos com artigos sobre a sustentabilidade e a alimentação, breves sonecas e inúmeras criações de almoços resultantes de combinações daquilo que se encontra dentro do frigorífico, coroadas com molhos originais para unificar tudo numa só salada, porque este tempo também o pede (ou pedia, até ontem ter começado a chover e a trovejar. Não que me esteja a queixar!)
Como dizia, os almoços resumem-se a isso ou, como foi o caso de hoje, a esparguete com bife de perú e uma salada, para quando não me apetece mesmo sujar as mãos, pegar na tábua e ficar logo de manhã com os dedos a cheirar a cebola ou a alho nem provar molhos de qualquer espécie mesmo antes de comer a minha aconchegante e maravilhosa sandes de pão de cereais quentinho, ligeiramente tostado com marmelada caseira e uma grande caneca de mistura solúvel de café.

Vou tentar ser o mais fiel possível com as doses. Qualquer coisa que vos pareça desequilibrada, já sabem: pitadas, sorver e ajustar.

Salada de Dourada e Vegetais com um molho oriental

O molho deverá ser suficiente para 4 pessoas, uma vez que seria estranho dar doses em pitadas. Assim pode ser conservado num frasco no frigorífico cerca de 1 semana.
Se for preparado com antecedência, deixar de fora os amendoins, os coentros e o molho, acrescentando apenas antes de servir. Se quiserem levar como almoço para fora coloquem o molho num frasquinho, os coentros envolvidos num guardanapo e num pedaço de folha de alumínio e os amendoins igualmente numa folha de aluminio. Vale a pena o esforço extra. ;)


1 dourada grande escalada, grelhada 
1/2 couve-chinesa, cortada em chiffonade
1/2 pimento verde, cortado em juliana 
1 cenoura grande, ralada ou cortada em juliana
1 alho-francês pequeño, cortado finamente
amendoins tostados, grosseiramente picados
coentros picados grosseiramente, a gosto 

1 c.chá de óleo de amendoim
1/3 c.chá de vinagre de arroz
1 c.chá de mel ou 2 c.chá de sumo de laranja
1 dente de alho grande, picado
1 pedaço de gengibre com o dobro do tamanho do dente de alho, ralado
2 c.chá de molho de soja
2 c.chá de molho de peixe
2 c.chá de água (cortar se for utilizado sumo de laranja)
1 pitada de piri-piri ou malagueta vermelha picada (opcional) 

Numa tigela combinar todos os ingredientes do molho, emulsionando até ficar tudo ligado. Provar e rectificar a acidez ou a doçura até ficar ao vosso gosto.
Numa outra grande tigela, colocar todos os vegetais, a dourada partida aos pedaços e misturar tudo. Finalizar com uma boa dose de coentros picados, os amendoins polvilhados por cima e temperar a gosto com o molho. Servir de imediato, para que os
coentros mantenham a sua frescura e os amendoins o seu forte sabor torrado e o crocante da sua textura.

serve 2

a ouvir: Midnight City - M83

— 2 years ago
#lunchbox  #peixe  #saladas 
vou a barcelona

All is connected - tudo está ligado. Pesquisei a origem da citação e cheguei a Paul Hawken. Ainda que a frase possa ter esta espécie de patente a ela anexada, acho difícil de acreditar que não tenha já sido mencionada, constatada e reflectida por tantas outras mentes conscientes o suficiente para perceber que toda a nossa imensidão, social e pessoal, é como um castelo de cartas.

Os dias amontoam-se num constante contrabalanço entre o bom, o belo, o novo, e aquilo pelo qual me esforço, cavo e escavo para ver com novos olhos de coisas boas, belas e novas. Farto-me facilmente das coisas que não puxam por mim. Farto-me da monotonia das que em nada me inspira e deprecia o mundo ao meu olhar. Esforço-me por pintar por cima mas canso-me. 

Vale as horas de almoço quentes, ideias que fervilham, boas conversas, trabalhos prazerosos e reconhecidos, boa música, espaços novos, boa comida, nova comida como esta e a perspectiva de uma viagem a Barcelona em menos de um mês.

Macarrão com queijo
adaptado de Jamie Oliver.com - a killer mac ‘n’ cheese

Esta é a all american version da comida italiana. É boa, mas fica muito aquém da autenticidade da bella pasta italiana e não se compara a um bom prato de comida portuguesa. As ervas secas funcionam na perfeição. Na verdade não me parece que manjericão fresco por exemplo funcione de todo aqui. Relativamente à sua quantidade, para mim quanto mais melhor, por isso não aconselho a menos de 3 colheres de sopa bem na sua totalidade. 

sal e pimenta
25g de manteiga
1,5 c.sopa de farinha mal medida
5 dentes de alho, descascados e fatiados finamente
3 folhas de louro
50 cl de leite meio-gordo
300g de macarrão
4 tomates
75g de queijo cheddar forte, ralado de fresco
50 de queijo parmesão, ralado de fresco
tomilho, alecrim e manjericão seco a gosto
molho Worcestershire q.b
1 pitada de noz-moscada 
40g de pão ralado fresco
azeite

Ferver uma grande panela com água salgada.
Derreter a manteiga numa caçarola de forno ou uma panela normal a lume baixo, adicionar a farinha e aumentar para médio, mexendo constantemente até formar uma pasta. 
Adicionar o alho e continuar a mexer até alourar e o alho ficar pegajoso.
Adicionar o louro e misturar lentamente o leite, um pouco de cada vez até obter uma pasta lisa e homogénea. Levantar fervura e deixar a lume brando para cozer e engrossar, mexendo ocasionalmente.
Pré-aquecer o forno a 220ºC. Adicionar a massa à panela e cozinhar até ficar al dente, cerca de 13-15 minutos. Entretanto cortar os tomates grosseiramente e temperá-los generosamente com sal e pimenta.
Escoar a massa, reservando parte da água da cozedura, e adicioná-la de imediato ao molho. Dar uma boa agitadela e retirar do lume.
Adicionar e envolver totalmente os queijos, o tomate e uma boa dose das ervas sugeridas, juntamente com o molho Worcestershire e um pouco de noz-moscada. Provar e corrigir o sabor até ficar ideal e também em consistência, ligeiramente líquida, pois vai engrossar no forno. Adicionar um pouco da água da massa se for necessário. 
Colocar a caçarola no forno se for adequada, ou passar a massa para uma travessa própria e levar a assar durante 30 minutos até ficar dourada, crocante e a borbulhar.
Entretanto colocar o pão e mais um pouco das ervas a gosto numa frigideira com um pouco de sal, pimenta e um fio de azeite. Misturar e mexer, salteando até que fique uma mistura crocante e dourada. Retirar do lume e colocar numa tigela.
Servir o macarrão com o pão ralado por cima e uma bela salada.

serve 4 

a ouvir: Phoenix - Martina Topley-Bird

— 2 years ago
#pasta  #vegetariana  #queijo  #no forno  #na frigideira 
meus queridos pequenos-almoços

não é precisa muita ciência para começar bem o dia.

cruesli com uvas e iogurte

batido de banana, mirtilos e morangos com flocos de aveia tostados, sementes de abóbora, de girassol e de linhaça.

esta luz de um céu chocho prestes a chover provoca-me dores de cabeça, sonolência e uma inércia vergonhosa para trabalhar (ou fazer o que que que seja).

— 2 years ago
#pequenos-almoços  #uvas  #frutos vermelhos  #banana  #aveia 
uma omelete não é só uma omelete

Já disse, redisse e voltarei a dizer sempre que acontecer: não há melhor surpresa quando meia dúzia de simples ingredientes, corriqueiros poder-se-á dizer, dão lugar a uma experiência gastronómica verdadeiramente genuína, nova, e genial na sua simplicidade. 

Apesar de, com muita pena minha, ainda não ter adquirido nenhum dos livros deste senhor, as receitas que escreve semanalmente no The Guardian e o modo como o faz são um regalo para quem lê. Umas mais simples que outras, são receitas de alguém modesto, que nutre um amor grande pelos alimentos, de grande curiosidade, espírito de jogo, bom humor e de quem nutre um carinho e valor enorme a cada receita inventada.

Omeletes de cebolo

85g de requeijão
dois ovos batidos
1 cebolo
1 pequeno punhado de folhas de coentros
7g de manteiga

molho
1/3 c.sopa de molho de peixe
1/3 c.sopa de sumo de lima
2/3 c.chá de açúcar amarelo
piri-piri seco, ou malagueta fresca picada, a gosto
gengibre fresco ralado, a gosto

Esmagar o requeijão com um garfo. Bater ligeiramente os ovos e misturá-los com o requeijão.
Picar finamente os cebolos, e misturá-los com os coentros.
Envolver as ervas com a mistura de ovo e requeijão e temperar generosamente com sal e um pouco de pimenta preta.
Entretanto para fazer o molho basta misturar todos os ingredientes, adaptando a quantidade de açúcar, malagueta e gengibre de acordo com a pungência e doçura que quiserem que adquira.
Aquecer a manteiga numa frigideira. Quando começar a borbulhar ligeiramente, dividir a mistura de ovo em dois pequenos montes na frigideira, e deixá-los adquirir a forma de uma pequena panqueca, com cerca de 6cm de diâmetro. Deixar cozinhar durante uns minutos até ganhar uma ligeira cor na parte de baixo e depois virá-las cuidadosamente, deixando cozinhar o outro lado por mais um minuto.
Transferir as omeletes para um prato aquecido e servir imediatamente com uma colherada do molho.

serve 1

a ouvir: 19-2000 - Gorillaz

— 2 years ago
#ovo  #na frigideira  #ervas aromáticas  #lunchbox 
o início dos meus bens

Todas as semanas escreverei os meus BENS. Coisas que fiz, que vivi, que quero fazer e que quero viver. Coisas boas.

Isto vai ajudar-me nos/para os dias em que, tal como hoje, uma inquietação e estranha ansiedade me assaltam a mente, por vezes despoletados por filmes ou imagens, umas belas outras inquietantes, por ter de conviver com maus comportamentos sucessivos de pura irresponsabilidade ou de testemunhar péssimas atitudes inconscientes ou totalmente conscientes, e sem eu ter a capacidade de as ignorar ou contrabalançá-las com o mesmo número de coisas boas, acabando por levar por vezes uma existência masoquista, de quem parece que gosta de levar assim uma vida, percepcionado muito mal e pouco bem.  
Vai ajudar-me a organizar-me, como um lembrete de que a vida vale muito e sempre a pena.

BENS:

- uma grande caneca de leite com café quando chego a casa, depois das aulas.

- jasmim, madresilva, sândalo, mel, pêra e lucia-lima.

- esta receita, que será a derradeira oportunidade que darei ao tofu para me surpreender.

- mini-férias de três horas que me souberam bem como a vida, passadas em jeitos de piquenique, apanhando banhos de um Sol quente de Inverno nos jardins de Belém com fantástica companhia.

- dar a conhecer à responsável deste site o quão grata estou pelo trabalho fantástico que ela faz semanalmente.

- casas bonitas. Como esta, esta, a deliciosa intimidade desta, esta e esta, que parece ter saído de um mercado de velharias.  

- Todd Hido e Kawashima Kotori.

- Ryan McGinley a fazer magia, como sempre.

- A música portuguesa a dar provas que a crise não a afecta.

- O Wang e a HelloMe a praticar um design que dá gosto de ver.

- Music made in UK. Here and here.

- Musique fabriqué en France. Ici.

- A propósito de um novo projecto, a descoberta do mundo fantástico dos cães através da Wikipédia.

- este forno.

- “You can’t draw pictures that aren’t a reflection of yourself, it can’t be done. (…) Nothing comes easy to me. That is why I am an insecure artist when I sit down to make a new job, but then I found out that Fred Astaire was extremely insecure before he made a new dance for the movie. And if Fred Astaire is insecure, I can be insecure.  Young people when starting into the field are looking for style but what you don’t realize is that you are the style, the persona that you have is the style. The fact that I am insecure really shows up in my drawings, I have a sketchy line, not a hard edge like some artist have, it is a nervous line because I’m a nervous person, you learn to accept yourself and your style comes right out of it.” - Ed Sorell *obrigada Maria*

- The Sartorialist sempre a inspirar.

- Barbara Wojirsch.

- O CD que o meu irmão acabou de comprar e que estamos neste momento a ouvir.

- almoços há muito prometidos finalmente concretizados no ST.

- a minha carry-to-everywhere-i-go Olympus iSnap, oferecida há 8 anos (jesus, há tango tempo…!) e resgatada da garagem há dois meses.

- -magazines- -que- -dão- -gosto- -de- -ver-.

- As histórias e tempos cruzados de Inarritu.

- Dançar toda a noite com a melhor companhia após um longo período de pausa.

- A cena final (todo o filme para dizer a verdade).

- isto (look down).

Não consigo explicar a minha felicidade ao ver a minha tigela de Chocapic, cheirar e sentir na boca os cereais ensopados em leite achocolatado cheio de espuma bem quente  e ouvir a crepitar aqueles pequenos flocos de trigo e chocolate com um sabor sem igual. Pouca comida me dá tal conforto. Aos anos, literalmente, que não comia. Para quem não repete um pequeno-almoço dois dias seguidos, quer-me parecer que a não-rotina vai ser quebrada.

P.S: fazer lista de BENS é o vício mais saudável que conheço. 

— 2 years ago
#BENS  #not about food