






Estive assim |-| para não sair de casa.
Não é que não goste deste tempo, eu adoro. Mas comigo em casa de roupão e incenso tibetano no ar.

Omelete de pesto e queijo fresco
Esta é das receitas mais fáceis e saborosas de fazer, incrível como 3 ingredientes (está bem que o pesto tem montes de componentes, mas francamente, who cares?) resultam numa coisa tão saciante e cheia de sabor. Faz-se em 3 tempos. E eu que gosto da minha comida bem temperada e ponho pimenta em tudo não utilizei nem uma pitada de sal ou pimenta.
4 colheres de sobremesa de pesto
12 ovos (divididos em 4 doses de 3 e batidos levemente)
3 queijos frescos, espremidos para não soltarem água
sal e pimenta, a gosto
Cortar cada queijo fresco em 4 rodelas. Dividir os ovos em 3 por quatro tigelas e batê-los ligeiramente.
Numa frigideira pequena, colocar 1 colher de pesto a lume médio. Espalhar bem o pesto da frigideira e, quando estiver quente, adicionar 3 ovos e deixar cozer, mexendo ligeiramente com a colher de fora para dentro para que coza as partes líquidas. Com ma espátula ajudar o ovo a descolar-se das bordas. Ir mexendo ligeiramente a frigideira para que coza homogeneamente. Quando começar a assentar, adicionar 3 rodelas de queijo fresco numa metade da omelete e deixar cozer até começar a derreter. Quando o ovo estiver quase assente, dobrar com a ajuda da espátula a metade sem o queijo sobre a outra, formando um semi-círculo. Deixar fundir as duas metades com o queijo até que fique cozido a gosto, deslizar da frigideira para um prato e servir de imediato.
Batota: se o queijo não ficar tão derretido como gostariam e o ovo estiver ainda um pouco por cozer, coloquem a omelete 1 minuto no microondas: tiro e queda. Estão a ver mozzarella derretido? Fica tal e qual. :)
serve 4
a ouvir: Paradise Circus - Massive Attack

Uma coisa que certamente não faltará na compilação gastronómica deste blog serão receitas alentejanas. Cozinha italiana, incontornável sim. Asiática, de valor inegualável. Mexicana, maravilhosa. Indiana, sim senhor. Gaúcha ou bahiana, grega, francófona, anglo-saxónica, americana, todas repletas de uma riqueza gastronómica única, para quem as souber explorar. Mas a portuguesa é a melhor. E a alentejana a melhor da melhor. Adoro o peso da tradição, a presença obrigatória de certos alimentos, a simplicidade na confecção e a sua riqueza inerente, as mãos de quem sabe o que faz e a dedicação a um legado familiar, dos que fazem e ensinam e dos que urgem por aprender.
Não faço que estão de fazer o ensopado de borrego da minha avó, a carne de porco frita, o cozido à portuguesa, a açorda de alho ou as migas à alentejana. É comida de avó e para ser apreciada com a avó, e com a familia. No entanto aprendo a fazê-la para continuar a tradição, para manter viva essa pequena herança, para lhe ganhar a mão da minha avó e para os que vierem possam ter tanto prazer em comê-la como eu hoje tenho.
Misturo a tradição, a familia, comida alentejana e comida portuguesa no mesmo texto porque é difícil falar de uma sem mencionar outra.
Não dá para falar de tradição sem falar de comida portuguesa, que por sua vez não pode ser dissociada da comida alentejana. Não dá para falar de comida alentejana e não falar em pão, queijo, azeite e alho. E não dá para falar neles sem falar na avó.

Açorda de queijo e Espinafres
variações: acrescentar chouriço, bacalhau, pescada, talvez um pouco de colorau e mais não arriscaria. Plain and simple.
8 dentes de alho, descascados e esmagados
100ml de azeite
1 molho grande de coentros, picados
350g espinafres frescos (2 embalagens)
2 queijos pequenos de cabra curados atabafado (Bilores por exemplo), cortados em 4
4 ovos
água
sal q.b
1 pão alentejano
Numa panela grande, refogar o alho no azeite, adicionar os coentros quando o alho começar a alourar e deixar apurar.
De seguida, adicionar os espinafres, o queijo e cerca de 1,6l de água, ou até que cubra tudo. Deixar levantar fervura e cozer até que o queijo esteja mole ao espetar com um garfo e os espinafres bem cozidos, cerca de 20 minutos. Entretanto, quando a água ferver, adicionar cada ovo um a um à panela e escalfar até ao final da cozedura (este passo pode ser feito durante a cozedura do queijo). Não mexer a panela para não desfazer os ovos. No final, adicionar uma boa quantidade de sal, provar e deixar apurar.
Migar o pão numa tigela em pedaços médios de cerca de 1 dedo de espessura, ensopar com o caldo e servir bem quente a acompanhar o resto da açorda.
serve 4

Por maiores ou menores certezas que já tenha tido relativamente ao meu futuro percurso profissional, a ambição de construir um projecto from scratch e de ser a chefe do meu próprio nariz é algo que sempre me motivou. Não se trata de fazer planos a longo prazo ou de ser idealizações irrealistas. Creio que é precisamente por muitos de nós continuarmos a limitar-nos devido a medos e às fragilidades destes tempos incertos, que acabamos por impedir que todo o nosso potencial se manifeste. Potencial esse que muito provavelmente poderia contribuir para uma melhoria geral do estado das coisas. Não podemos parar para acompanhar os tempos que correm, essa atitude não faz qualquer sentido numa sociedade em que a própria definição de tempo é tudo menos linear (quase que pareço o Harold Innis a falar).
Não sei como vai ser amanhã nem depois amanhã, mas tenho certas coisas que mantenho sempre presentes na minha cabeça que me fazem manter motivada e com um objectivo de futuro, sem olhar a restrições ou impedimentos que hoje em dia já não fazem sentido.
E esta conversa toda pode não significar nada para muita gente, mas aqueles que me conhecem e que sabem quais são as duas coisas que me fazem vibrar mais que tudo devem ter uma ideia daquilo a que me refiro. Algo relacionado com uma certa receita de couve-flor, outra de beringela assada, ou mesmo esta de um recheio de ovo, por exemplo. Deixo a expectativa no ar. :)

Sandes de Ovo
É a primeira vez que fiz um recheio com ovo e devo dizer que não poderia ter começado da melhor maneira.
3 observações:
- aipo, cebolinho e salsa = heaven
- ao contrário da maionese, utilizada em muitas receitas deste tipo, o queijo-creme dá uma textura cremosa mas de sabor mais suave, sem se sobrepor ao do ovo
- o truque está na cozedura ideal do ovo!
Hei-de fazer umas próximas experiências misturando outras coisas, talvez um pouco de caril, chutney de manga, bacon grelhado, cebola caramelizada ou um queijo mais intenso.
Da próxima vez vou acompanhar este recheio com uma massa comprida como esparguete ou linguini. Se combina bem com pão, com a massa deve fazer uma refeição estranhamente saborosa!
2 ovos pequenos / 1 grande
1/3 c.sopa queijo-creme
sal e pimenta preta fresca moída, q.b
1/2 talo de aipo
1/2 c.sopa de cebolinho, picado
1/2 c.sopa de salsa, picada
1 pequeno punhado de rúcula selvagem
2 fatias de pão de centeio, tostadas
Colocar os ovos numa panela de água fria e cobrir por cerca de 1cm. Levantar fervura gentilmente. Retirar do lume, tapar e deixar repousar 5 minutos.
Entretanto picar o aipo e juntar ao cebolinho e a salsa numa tigela, prontos para serem misturados com o ovo.
Após os 5 minutos, passar os ovos para uma tigela de água fria durante 3 minutos aproximadamente, até que parem de cozer. Descascar os ovos e colocar numa taça pequena - a clara deve estar cozida mas a gema deve estar bastante húmida e mal cozida. Adicionar o queijo-creme, uma pitada de sal e pimenta e esmagar com um garfo até que fique simplesmente bem envolvido, para que se mantenha a textura do ovo. Caso a mistura esteja muito seca, adicionar um pouco mais de queijo ou um bocadinho de sumo de limão. Entretanto por as fatias de pão a torrar.
Juntar o aipo e as ervas, envolver, provar e rectificar os temperos se for necessário.
Para montar a sandes, colocar toda a mistura sobre uma das fatias, cobrir com a rúcula e finalizar com a restante fatia de pão por cima.
serve 1

a ouvir: I Follow Rivers - Lykke Li
Não é uma receita original, mas por alguma razão encontra-se em todos os grandes sites de comida (não que eu tenha ido verificar!).
Esta é uma das diversas variações criadas a partir dos Eggs Benedict, cuja única diferença em relação a estes se encontra na substituição dos espinafres por fiambre ou bacon. Se por acaso decidirem iniciar uma exploração no mundo “Eggs Benedict & Co”, fica aqui todas as variações registadas existentes. Sempre à disposição ;)
Com meia dúzia de ingredientes, é mais fácil do que parece, é barata e vale um óptimo almoço. Apenas uma coisa nesta receita me faz torcer o nariz: a quantidade de manteiga. Muita, muita manteiga. Usei metade e pareceu-me muito bem. Provavelmente se usasse toda saberia ainda melhor. E daí talvez não.
Anyway, aqui fica a receita original. Enjoy ;)

Ovos à Florentina
Molho Holandês
2 gemas de ovo
sal marinho e pimenta branca acabada de moer
1 c.sopa de sumo de limão
100g de manteiga aos cubos
2 bons punhados de rebentos de espinafres (depois de salteados transformam-se em nada)
2 ovos
1 english muffin cortado ao meio (ou duas pequenas fatias de pão alentejano, como bom português)
Pessoalmente quando faço ovos escalfados prefiro sempre fazê-los individualmente, um de cada vez, principalmente por falta de segurança e para garantir que ficam todos bonitos e não se colam uns aos outros. Mas como disse, creio ser apenas falta de experiência. Com a prática vai-se lá.
O molho holandês não se pode conservar nem re-aquecer. Por ser feito de ovos e manteiga, o mais provável seria que talhasse depois de re-aquecido.
Por em lume brando uma caçarola de água e outra panela grande a ferver com água e sal. Enquanto aquecem, começar a fazer o molho holandês.
Colocar as gemas dos ovos e uma pitada de sal e pimenta numa tigela média e bater bem durante uns minutos até engrossar. Continuar a bater com leveza enquanto de junta lentamente o sumo de limão, e reservar.
Derreter a manteiga numa frigideira a lume médio até ficar muito quente, mas sem escurecer. Verter na mistura das gemas, devagar, batendo constantemente para que não talhe (e não se transforme em ovos mexidos!). Temperar bem, colocar a tigela na pequena caçarola de água quente para a manter quente até ao momento de servir.
Colocar uma frigideira (pode ser a mesma anterior) em lume médio, adicionar um pequeno pedaço de manteiga e saltear os espinafres, temperados com sal e pimenta. Assim que amolecerem, retirar do lume e reservar.
Após a panela grande estar a ferver, adicionar um bom gole de vinagre, reduzir o lume a brando e escalfar os dois ovos (o vinagre ajudar a que não se colem na panela e a que fiquem mais compactos).
Colocar o pão numa torradeira até ficar bem tostado. Depois de cerca de 3-5 minutos, dependendo da cozedura que quiserem para os ovos, retirar da panela com uma escumadeira e colocar sobre papel de cozinha para enxugar.
Barrar os pães com um pouco de manteiga, cobrir igualmente com os espinafres salteados, seguidos do ovo, uma boa colherada do creme holandês e saborear na hora!
Quando deixamos de comer/cheirar/viver uma coisa que durante muito tempo nos foi íntima, familiar, temos medo que, ao voltarmos a repetir a experiência passados muitos anos, já não seja a mesma coisa. Geralmente é o que acontece. Podia estar a falar de muita coisa, mas desta vez refiro-me ao Chocapic: os cereais de trigo cobertos com chocolate que resumem os meus pequenos-almoços de infância e pré-adolescência. Hoje, envoltos num leite quente aquecido ao lume na caneca de inox (ainda não recuperámos o microondas), numa bela tigela branca segura entre as minhas mãos, voltaram a entrar em contacto com as minhas pupilas gustativas.
Reconfortante, maravilhoso, sem qualquer exagero. Foi como cheirar algo que nos remete para uma altura muito feliz da nossa vida (está-me sempre a acontecer.)
Também estrelei um ovo, coisa que não fazia literalmente (e não num tom figurativo) há anos, e soube-me melhor do que me lembrava. É uma das grandes vantagens de reeducar a boca e o estômago.
Sim, ultimamente tem-me dado para revivalismos. A música que ouço é prova disso.
Se ao menos não esquecesse o presente.

Quinoa de Cogumelos e Nozes com Espinafres e Ovo estrelado
ligeiramente adaptada de Canelle et Vanille: Mushroom, Walnut Quinoa with Fried Egg and Watercress Salad
1 c.sopa de azeite
1 dente de alho, picado
1 cháv. cogumelos
1/2 cháv. de quinoa, passada por água
2 chávs. caldo de legumes
1/2 c.chá de sal
1 c.sopa de nozes, picadas
1 c.sopa de salsa fresca, picada
1 c.sopa de cebolinho, picado
1 ovo, para estrelar
espinafres q.b
sal e pimenta a gosto
Aquecer o azeite numa panela pequena e saltear o alho e os cogumelos a lume médio durante 2-3 miutos. Juntar a quinoa e saltear cerca de 1 minuto. Adicionar o caldo de legumes e o sal e levantar fervura. Reduzir o lume, cobrir e cozinhar cerca de 15 minutos.
Remover a panela do lume e adicionar a maior parte das nozes, da salsa e do cebolinho. Ajustar o tempero e envolver tudo.
Fritar os ovos num pouco de azeite, temperar por cima com um pouco de sal grosso e pimenta preta fresca.
Colocar a quinoa e os espinafres numa tigela, servir o ovo por cima da quinoa, juntamente com o resto das nozes e das ervas frescas.
serve 1
E também fiz um bolo. Até hoje, três coisas me surpreenderam verdadeiramente no mundo da pastelaria: a quantidade exurbitante de ovos que 90% da doçaria alentejana leva, um bolo de courgette (que tem um post mais que prometido) e um bolo com uma laranja inteira, literalmente.

Bolo húmido de Laranja com Cobertura de Iogurte
receita de The British Larder, Sticky Orange Cake with Natural Yogurt Topping
É um bolo extremamente rico no seu sabor forte a laranja, na sua textura húmida quase cremosa, graças ao puré da laranja cozida, e surpreendente pela ausência de qualquer gordura na sua constituição. Ideal mais para um lanche que para uma sobremesa, digo eu.
2 laranjas frescas
100ml da água da cozedura das laranjas
6 ovos
250g de açúcar não refinado
100g de farinha
200g de amêndoas moídas
1 c.chá de fermento em pó
Cobertura de Iogurte Natural
300g de iogurte natural
20g de açúcar não refinado
1 folha de gelatina
100ml de leite
sementes de 1 romã
raspa de 1 laranja
1 c.sopa de pistáchios, picados
Cobertura: Mergulhar a gelatina em água fria por 7min. Levar o leite e o açúcar a ferver, espremer a folha de gelatina e adicionar ao leite, mexendo para dissolver.
Numa tigela média, bater o iogurte com o leite. Deixar arrefecer antes de espalhar sobre os bolos arrefecidos.
Lavar as laranjas, colocá-las numa panela e cobrir com água fria. Ferver e deixar as laranjas cozer durante 1 1/2h, até ficarem totalmente moles. Deixar arrefecer as laranjas completamente no líquido da cozedura.
Pré-aquecer o forno a 150ºC com a prateleira no meio. Engordurar duas formas de pão de 24x9x6,5cm.
Colocar as laranjas inteiras num processados com o líquido da cozedura e passá-las até formar um puré muito cremoso.
Transferir o puré para uma grande tigela, adicionar os ovos e o açúcar e misturar bem. Envolver as amêndoas na massa, peneirar a farinha e o fermento sobre a mistura e envolver com uma colher de metal. A massa do bolo estará muito líquida. Verter a mistura sobre as formas e cozer por 1h.
O bolo estará pronto quando o teste do palito sair limpo. A textura deverá ser húmida e densa, quase como a de um cheescake. Deixar arrefecer 20min, retirar da forma para uma grelha e arrefecer totalmente antes de o cobrir com a cobertura de iogurte. Polvilhar com as bagas da romã, raspa de laranja e os pistáchios.
O bolo mantém-se conservado durante 3 dias no frigorífico.
faz 2 bolos de 24x9x6,5

a ouvir: Thank You - Dido