As coisas não podem estar assim tão más quando se está prestes a viajar para Barcelona. Aliás, as coisas não podem estar assim tão más quando se está prestes a viajar, ponto.
O que se faz quando se tem um bom pedaço de queijo feta no frigorífico que sabemos que não irá durar até ao meu regresso é o que mostrarei de seguida. Incrível como o que improviso é o que sai sempre melhor, fico mesmo feliz. Ou então é só sugestão minha por querer acreditar que o fruto do instinto é o que sabe melhor. Anyway, it works for me.
E não posso deixar de vos apresentar o D.O.P - o meu mais recente projecto da faculdade. Enjoy.
observação: Portugal, Espanha, Grécia… estranha a mistura de culturas que por aqui paira!

Caçarola à grega (odeio a expressão à - , mas é o que faz mais juz à coisa)
Mum didn’ like the lemon. Mas eu adorei. Em caso de dúvidas, cortem o limão às fatias e deixem ao gosto de quem vai apreciar o vosso belíssimo jantar.
Precioso, te digo!
1 c.sopa de azeite
1/2 cebola grande, picada
6 dentes de alho, laminados
2 folhas de louro, partidas
100ml de vinho branco
150ml de polpa de tomate
2 c.sopa de oregãos
2 tomates médios bem maduros, cortados em pequenos pedaços
4 postas de pescada, cozidas e arranjadas (espinha e pele retiradas) e a água da cozedura reservada
600g camarão sem casca, congelado
sal e pimenta
1/2 limão
200g de queijo feta
azeitonas galegas, a gosto
4 pães pita, para servir
Aquecer o azeite numa caçarola ou frigideira larda. Juntar o alho, a cebola e o louro, deixando alourar 3 minutos.
Adicionar a polpa de tomate, os tomates, o vinho, 1 colher de sopa de oregãos, cerca de 100ml da água da cozedura do peixe, sal, pimenta e 4 tiras da casca de limão. Deixar cozer 7-10 minutos até reduzir e engrossar o molho.
Adicionar o camarão e a pescada despedaçada, envolver tudo e deixar ao lume até o camarão estar cozido.
Provar e rectificar o tempero se for necessário e retirar do lume.
Polvilhar com o feta desfeito e finalizar com um fio de azeite, o sumo do limão, o resto dos oregãos ou mais a gosto e azeitonas.
Servir quente com pedaços de pão pita bem tostado.
serve 4
a ouvir: Little Red Rooster - Big Mamma Thornton
Hasta Domingo!
All is connected - tudo está ligado. Pesquisei a origem da citação e cheguei a Paul Hawken. Ainda que a frase possa ter esta espécie de patente a ela anexada, acho difícil de acreditar que não tenha já sido mencionada, constatada e reflectida por tantas outras mentes conscientes o suficiente para perceber que toda a nossa imensidão, social e pessoal, é como um castelo de cartas.
Os dias amontoam-se num constante contrabalanço entre o bom, o belo, o novo, e aquilo pelo qual me esforço, cavo e escavo para ver com novos olhos de coisas boas, belas e novas. Farto-me facilmente das coisas que não puxam por mim. Farto-me da monotonia das que em nada me inspira e deprecia o mundo ao meu olhar. Esforço-me por pintar por cima mas canso-me.
Vale as horas de almoço quentes, ideias que fervilham, boas conversas, trabalhos prazerosos e reconhecidos, boa música, espaços novos, boa comida, nova comida como esta e a perspectiva de uma viagem a Barcelona em menos de um mês.

Macarrão com queijo
adaptado de Jamie Oliver.com - a killer mac ‘n’ cheese
Esta é a all american version da comida italiana. É boa, mas fica muito aquém da autenticidade da bella pasta italiana e não se compara a um bom prato de comida portuguesa. As ervas secas funcionam na perfeição. Na verdade não me parece que manjericão fresco por exemplo funcione de todo aqui. Relativamente à sua quantidade, para mim quanto mais melhor, por isso não aconselho a menos de 3 colheres de sopa bem na sua totalidade.
sal e pimenta
25g de manteiga
1,5 c.sopa de farinha mal medida
5 dentes de alho, descascados e fatiados finamente
3 folhas de louro
50 cl de leite meio-gordo
300g de macarrão
4 tomates
75g de queijo cheddar forte, ralado de fresco
50 de queijo parmesão, ralado de fresco
tomilho, alecrim e manjericão seco a gosto
molho Worcestershire q.b
1 pitada de noz-moscada
40g de pão ralado fresco
azeite
Ferver uma grande panela com água salgada.
Derreter a manteiga numa caçarola de forno ou uma panela normal a lume baixo, adicionar a farinha e aumentar para médio, mexendo constantemente até formar uma pasta.
Adicionar o alho e continuar a mexer até alourar e o alho ficar pegajoso.
Adicionar o louro e misturar lentamente o leite, um pouco de cada vez até obter uma pasta lisa e homogénea. Levantar fervura e deixar a lume brando para cozer e engrossar, mexendo ocasionalmente.
Pré-aquecer o forno a 220ºC. Adicionar a massa à panela e cozinhar até ficar al dente, cerca de 13-15 minutos. Entretanto cortar os tomates grosseiramente e temperá-los generosamente com sal e pimenta.
Escoar a massa, reservando parte da água da cozedura, e adicioná-la de imediato ao molho. Dar uma boa agitadela e retirar do lume.
Adicionar e envolver totalmente os queijos, o tomate e uma boa dose das ervas sugeridas, juntamente com o molho Worcestershire e um pouco de noz-moscada. Provar e corrigir o sabor até ficar ideal e também em consistência, ligeiramente líquida, pois vai engrossar no forno. Adicionar um pouco da água da massa se for necessário.
Colocar a caçarola no forno se for adequada, ou passar a massa para uma travessa própria e levar a assar durante 30 minutos até ficar dourada, crocante e a borbulhar.
Entretanto colocar o pão e mais um pouco das ervas a gosto numa frigideira com um pouco de sal, pimenta e um fio de azeite. Misturar e mexer, salteando até que fique uma mistura crocante e dourada. Retirar do lume e colocar numa tigela.
Servir o macarrão com o pão ralado por cima e uma bela salada.
serve 4
a ouvir: Phoenix - Martina Topley-Bird
A perceptível camada de pó sobre as prateleiras e os aglomerados de cotão das camisolas e casacões de lã que se acumulam debaixo da cama por fazer, fazendo companhia aos pares de sapatos fora das caixas, denunciam um quarto de alguém que nas últimas duas semanas por lá anda apenas de passagem, limitando-se a dormir, vestir ou a fazer algo puramente relacionado com o trabalho das ditas semanas. Apesar de toda a convicção na crença no equilíbrio entre design e resto da vida, a verdade é que, sem que eu me tivesse vindo a aperceber, o design tornou-se a minha vida. E como podem ver a ausência de vida neste blog sustenta isso.
As coisas tomam as dimensões que tem de tomar, e tomam as dimensões que queremos e deixamos que tomem. Dito isto, resta lidar com isso da melhor maneira. Na verdade estou em crer que aí está o verdadeiro desafio, porque quando a dimensão é grande, a fasquia é alta e o trabalho é extenso, muito extenso, a tendência para perder a objectividade é grande e consequentemente perco o foco sobre o todo, sobre o último objectivo de todo o processo, e acabo com incongruências, entre resultados conceptualmente bem estruturados e formalmente bem conseguidos, e entre resultados conceptualmente bem estruturados mas formalmente perdidos. Perco-me, disperso-me, e o mais (grave? frustrante? desesperante?) é que isso transparece claramente para o que faço, isto é, não só se vê o erro mas também a causa clara dele. O pior de tudo é quando faço coisas para todos menos para mim, acabando por não fazer nada para ninguém.
Males à parte, tenho um prazer enorme no que faço. A pouco e pouco eu vou conseguindo mais e melhor e isso é o que importa. Fico (quase) satisfeita e gosto de acreditar que isso está qualquer coisa perto do sucesso.
Lendo tudo isto novamente já não sei se falo apenas de design ou de mim, de mim e com a vida, sendo que o melhor é ficar-me por aqui e não extrapolar mais.
Ao menos durmo, tomo banho e como bem. Se algum destes falta, tudo falha. São as minhas exigências. Mais que isso, são as minhas necessidades.
Passando à comida. Há duas semanas fiz pizza pela primeira vez. Escusado será dizer que foi com massa caseira. E cozinhei alcachofras também pela primeira vez. Já há muito que tinha vontade de meter as mãos na massa, e como pasta exige concentração, técnica e um perfeccionismo dos quais não dispunha nem metade na altura, fiquei-me por uma bela massa de pizza que satisfez as delícias de quatro pessoas até há relativamente pouco tempo -dois anos, o tempo voa - mal habituadas a serões regulares com excelentes pizzas dos bons ristorantes (poucos mas bons) por esta Sintra fora.
Não querendo correr o risco de repetir algo que poderei já ter dito sobre outro alimento qualquer, as alcachofras foram uma das descobertas gastronómicas de 2011, senão mesmo a melhor. Apesar de apenas ter comido o que me pareceu ser alcachofras em conserva (ou se calhar foram apenas corações de alcachofras, por serem tão tenros), e também na pizza, o bichinho de cozinhar alcachofras cruas ficou atrás da orelha, e após um alguma dedicação ao estudo de tempos de cozedura e temperaturas de forno, aventurei-me nos mundos das pizzas e das alcachofras, fundindo-os com queijo e umas fatias de presunto para os que não se contentam com pouco.
Ah, e hoje à noite vou fazer lasanha de peixe, em jeito de celebração de fim de semestre. E de agradecimento a quem mais me apoiou nos últimos tempos.

Pizza de alcachofras
Nem sequer me vou dar ao trabalho de traduzir esta receita. Se surgir alguma dúvida, disponham. Creio que o único conselho que posso dar aos que tem pouca ou nenhuma experiência com massa e fermentação é que tenha calma com o crescimento da massa. Tenham a certeza que a massa está num ambiente minimamente quente para crescer, coloquem-na num sítio solarengo, ou mesmo ao pé do aquecedor! Se seguiram a receita tal como deve ser seguida, não tem nada que enganar, apenas poderá demorar o dobro do tempo a crescer, consoante a temperatura a que estiver exposta. E não se guiem pelas vossas mãos se estiverem frias para verificarem a temperatura da água, pelas razões óbvias. Quanto às alcachofras, nada a apontar na combinação de sabores, mas não me parece que a textura relativamente dura e resistente seja a mais apropriada para pizza, para a próxima vou experimentar alcachofras em conserva.
1/2 receita de massa de pizza
300g de bolas de mozzarella ou ralado
5 alcachofras
4 c.sopa de azeite
2 c.sopa de sumo de limão
5 dentes de alho, picados
parmesão fresco, ralado
sal q.b
um molho de folhas de manjericão inteiras
tiras finas de presunto, opcional
Pré-aquecer o forno a 260ºC.
Aparar as alcachofras e retirar as folhas exteriores mais duras. Ferver uma panela com água, adicionar as alcachofras inteiras e cozer 20 minutos ou até ficarem tenras, testando com uma faca na base da alcachofra. Retirá-las da panela e deixar arrefecer viradas para baixo, para escorrer a água.
Entretanto, estender a massa da pizza como indica a receita (com cerca de 0,5cm de espessura), dividindo por 2 ou mais tabuleiros previamente enfarinhados. Pincelar a massa com um pouco de azeite e polvilhar com mozzarella ou fatiar em rodelas e distribuir pelas bases das pizzas.
Cortar as alcachofras em quartos, colocá-las numa taça e envolver com sal, as 4 colheres de sopa de azeite, o sumo de limão e raspa se quiserem e o alho. Envolver bem as alcachofras no tempero e distribuir pelas pizzas. Finalizar com as folhas de manjericão espalhadas pela pizza e com as fatias de presunto se desejarem.
Levar ao forno e cozer durante 20-25 minutos até… bem, até a massa estar inflada, dourada e maravilhosa, o queijo a borbulhar e as alcachofras bem douradas e tenras.
serve 4 valentes
a ouvir: Já não estar - Camané
Gosto muito de aprender lendo. Seja textos académicos, literatura clássica, ensaios, artigos de jornais, crónicas, textos de blogs, venha tudo. Nem tudo “entra” cá dentro, mas o essencial não preciso sequer forçar. Entra, fica e permanece.
Gosto de criar as minhas próprias relações entre a minha vida e as palavras, por mais abstractas que por vezes possam ser. Na falta de melhor termo, por vezes “a carapuça serve” da maneira menos óbvia.
Gosto também de partilhar o que aprendo, seja literalmente através de links, fotocópias ou digitalizações, ou partilhando as minhas próprias conclusões.
Sem mais “enrolamentos” (perdoem-me mas hoje estou cheia de aspas, estou com uma preguiça mental terrível para procurar as palavras certas) partilho convosco pequenas pérolas da minha, passo o pretensiosismo, própria sabedoria. “Mandamentos” que fui aprendendo ao longo do tempo, palavras de ordem que tento implementar no meu dia-a-dia, na esperança de as ter presentes empiricamente na minha mente.
Sem querer parecer auto-centrada ou demasiado utópica, agir conforme os meus ideais e trabalhar para os melhorar parece-me a melhor maneira e a primeira atitude a tomar para aspirar a mudar mais alguma coisa “lá fora”.
1- simplificar
as coisas são na maior parte das vezes mais simples do que eu penso. Se reduzir tudo ao mínimo denominador, as decisões são fáceis.
2 - relativizar
nem tudo tem a mesma importância. É necessário distinguir o que é realmente importante e prioritário daquilo que é secundário e acessório.
3 - arriscar
quem arrisca enfrenta o medo de falhar. É só arriscando que podemos vencer. O medo é o conceito mais abstracto e mais perigoso de todos pois paraliza sem ainda ter tido oportunidade para agir.
4 - distanciar
é preciso parar para respirar. Quando algo ocupa demasiado tempo a minha vista, o meu olhar, a minha mente, o me tempo e sempre andando em círculos sem sair do lugar, satura-se e satura-me. Parar. Respirar. Refrescar. E se necessário baralhar e dar de novo.
5 - rir
é para mim tão importante que, como muitas outras coisas que tem semelhante efeito e mim, como beber vinho ou bolo-rei, quanto mais tempo passa sem o fazer, mais me apercebo o quão bem me sabe. A diferença é que o tempo não tem de passar para que saiba melhor e que me aperceba isso. Basta que aconteça e sabe sempre bem. E quem diz rir diz sorrir, brincar, aparvalhar…
6 - persistir
insistir naquilo que puxa baixo. É o que mais vale a pena e o que mais importa mudar. Resignar ao comodismo e ao facilitismo. Não desistir do que complica mas dá frutos, do que custa mas ajuda.
7 - inovar/criar
não descansar no sofá ou a cabeça na almofada. Procurar o novo que me atrai, que me cativa e alimentá-lo.
8 - acreditar
ter sempre algo que me faça andar, por mais ínfimo, supérfluo que seja, nunca é de menos desde que não me faça parar.
9 - ouvir
ou seja ver-vos, ler-vos, aprender através de vós. Disponibilizar-me, abrir-me ao mundo. Ouvir, perceber e aceitar para depois interiorizar e compreender, ou vice-versa.
10 - ()
agir conforme o meu verdadeiro eu. As minhas crenças, as minhas esperanças, a minha integridade, os eus objectivos, os meus interesses, as minhas prioridades, todos pessoais e intransmissíveis, nem que para isso tenha de parar as vezes necessárias para me poder ver sem ter overlays e sobreposições sobre mim. Interiorizar-me, conhecer-me.

Batata doce assada com salada de feta e folhas amargas
1 batata doce média
pedaço de 1cm de gengibre fresco, ralado
sal e pimenta preta a gosto
2 c.chá de azeite, mais para finalizar
1/2 c.chá de açafrão
1 pitada de malagueta
mistura de folhas de salada amargas (chicória, couve-roxa, etc)
150g de queijo feta
1 pequeno molho de coentros
azeitonas, opcional
Cortar a batata doce longitudinalmente e colocá-la sobre uma folha de alumínio suficientemente grande para envolvê-las por completo. Temperar as metades com todos os ingredientes e esfregá-los bem por todo o topo da batata para que fique igualmente bem temperada.
Fazer uns pequenos cortes no topo da parte mais grossa da batata para que asse mais facilmente.
Embrulhar com a folha de alumínio e levar ao forno cerca de 200ºC até que liberte aroma e que a batata ceda fácilmente quando espetarem um garfo ou uma faca e a retirarem, tenra mas sem se desfazer.
Para finalizar, dividir o feta partido aos pedaços ou esfarelado por dois pratos, bem como as folhas dos verdes. Quando a batata tiver arrefecido um pouco, cortá-la aos cubos, adicionar aos pratos, regar com um fio de azeite, um pouco de sal e pimenta e os coentros grosseiramente picados.
Servir de imediato, se bem que a baatata também sabe bem à temperatura ambiente.
serve 2
a ouvir: Chuva Ácida - Norberto Lobo
Na falta de nada de bom para dizer, mais vale não dizer nada de todo. Só sei que se paro aqui, não é nada bom sinal para mim.
Este é o risotto que ia integrar a edição de Novembro da revista Magnifica. Fica-se por aqui, e fica muito bem. É das melhores coisas que já comi (e a minha mãe também). E eu dizia que não gostava de risotto (e a minha mãe também).
Este risotto é para vós. Como aliás tudo o que já passou por aqui e tudo o que passará. É para vocês amigos, familiares, conhecidos, anónimos, queridos. E por isso merecem nada mais que o melhor. Só vos peço que não desistam de mim. Os outros que se fodam.
P.S: por vezes é bom deixar as coisas na gaveta durante um bocado e perceber se merecem ser ‘vomitadas’ cá para fora. Como o que tinha aqui escrito aqui de manhã.

Risotto de queijo da ilha com alho-francês estufado e pangrattato picante
receita do risotto adaptada de receita de Jamie Oliver, Cozinhar com Jamie Oliver
O maior desafio nesta receita nem foi o risotto em si mas o multi-tasking: três coisas ao mesmo tempo para que estejam as três bem quentinhas na hora de servir não é tarefa fácil. Mas é possível. ;) Como nunca tinha comido risotto antes, não tenho qualquer referência de textura ou sabor, mas creio que ficou muito próximo do original.
As principais alterações que fiz à receita do risotto foi no corte À manteiga (demasiada manteiga!) e a um twist de apoio ao que é português, substituindo o parmesão pelo queijo da ilha de S.Jorge. Maravilhoso. O risotto é um prato que sem dúvida deve ser servido assim que é feito, caso contrário corre o risco de ficar um pouco grosso e pesado.
850ml de caldo de legumes
1 c.sopa de azeite
1/2 c.sopa de manteiga
1/2 cebola grande, descascada e picada muito finamente
2-3 talos de aipo, aparados e picados muito finamente
300g de arroz para risotto
125ml de vinho branco seco
25g de manteiga
1 mão cheia de queijo da ilha
sal e pimenta q.b
alho-francês estufado
2 alhos-francês*, cortados às rodelas de 0,5-1 cm
2 dentes de alho, picados
1 c.sopa de manteiga
sal e pimenta preta moída fresca q.b
1 c.chá de tomilho, ou a gosto
150ml de vinho branco
pangrattato
1 pão individual duro
1/2 c.sopa de azeite
sal e pimenta 1.b
1 pitada de piri-piri
1/2 - 1 c.chá de mostarda
Deixar o caldo ferver. Numa panela grande, juntar a manteiga, o azeite, a cebola e o aipo e cozinhar lentamente durante 15 minutos, sem deixar ganhar cor, até amolecerem. Juntar o arroz e aumentar o lume, mexendo sempre para que nada se cole no fundo da panela.
Juntar rapidamente o vinho e continuar a mexer até que evapore, deixando o arroz com um aroma agradável. De seguida, juntar o caldo ao arroz uma concha de cada vez, mexendo e esperando até a concha anterior ser absorvida para juntar a seguinte. Reduzir o lume para o arroz não cozer depressa de mais, caso contrário o exterior ficará mole mas o interior rijo. Não cozer demasiado lentamente para que não fique demasiado empapado. Continuar a juntar as conchas até o caldo ser absorvido. Todo este processo deverá demorar cerca de 25 minutos e o arroz deverá manter a forma, mas ser mole, cremoso e deslizar lentamente na colher. A textura geral deve ser ligeiramente mais solta do que a que seria ideal.
Desligar o lume, juntar a manteiga restante e o queijo, verificar o tempero e rectificar com o sal e a pimenta. Não exagerar no sal uma vez que o pangrattato já tem algum sal também.
Enquanto o risotto é feito, colocar o alho e a manteiga do alho-francês numa pequena caçarola a lume médio. Quando o alho começar a alourar, juntar o alho-francês, temperar a gosto, juntar o tomilho e saltear cerca de 3-5 minutos.
De seguida adicionar o vinho e deixar cozer cerca de 15 minutos ou até o vinho ter evaporado e o alho estar macio e pastoso.
Para fazer o pangrattato, ralar o pão num processador até ficar em pequenas migalhas do mesmo tamanho.
Numa pequena tigela, juntar todos os ingredientes às migalhas e misturar bem para que fiquem todas igualmente temperadas.
Colocar a mistura numa frigideira e saltear constantemente até que o pangrattato liberto um belo aroma e fique bem dourado.
Para empratar, colocar uma colherada generosa de risotto num prato, seguida de uma dose de alho-francês em cima e finalizar com o pangrattato (que, garanto-vos, vão querer ir pondo mais, e mais, e mais…)
a ouvir: isto
- “Epá estou ansiosa para chegar a casa e fazer a minha lasanha para o jantar.”
- “Bem, ainda é de manhã e ela já está a pensar no que vai fazer para o jantar!”
É em alturas como estas que me apercebo que a minha relação com a cozinha não é muito normal. Paciência. Estava ansiosa sim. Tinha uma mistura de couve-flor e abóbora com especiarias assadas no forno cujo resultado final não foi dos mais felizes. Para remediar a situação, e inspirada no meu maior ídolo (que deve ser ídolo também para milhares de pessoas mas não deixa de ser menos válido por isso) resolvi esmagar os legumes com um garfo e fazer dali uma lasanha. O resultado foi fantástico e é incrível a diferença que faz uma simples mudança no modo de finalização dos legumes. A couve-flor corta com o sabor doce e algo enjoativo da abóbora, conferindo equilíbrio a todo o prato. O queijo parmesão é o elemento final que complementa os diferentes sabores e a salada simples de espinafres é a ideal para rematar todos estes elementos. Um improviso que começou mal mas acabou muito bem, dando um belo início ao fim-de-semana.

Lasanha de Abóbora e Couve-flor
350g de abóbora, cortada em pedaços iguais
350g de couve-flor, cortada em pedaços iguais aos da abóbora
1 cebola, cortada em 8 partes
1 dente de alho esmagado
sal e pimenta preta, a gosto
1 c.chá de sementes de cominho
1 c.chá de sementes de erva-doce
1/2 c.chá de noz-moscada
1 pitada de canela
1/4 c.chá de piri-piri
2-3 c.sopa de azeite
1-2 c.sopa de vinagre balsâmico
8 folhas frescas de lasanha
125g de queijo-creme (usei Filadélfia)
azeite q.b
queijo parmesão, para ralar
folhas de espinafre
sal e pimenta q.b
vinagre balsâmico, a gosto
No forno: Numa travessa grande de forno, dispor a abóbora, a couve-flor e a cebola numa só camada. Num almofariz colocar as sementes de cominho e erva-doce ligeiramente tostadas com uma quantidade generosa de sal grosso e moer constantemente durante uns 20 segundos até que soltem aroma e fiquem esmagadas com o sal. Temperar os vegetais com todas as especiarias, sal e pimenta a gosto, azeite e vinagre. Envolver tudo com as mãos para garantir que todos os legumes ficam temperados igualmente.
Levar ao forno pré-aquecido a 200ºC e assar cerca de 35 minutos, ou até a abóbora e a couve-flor ficarem tenras e começarem a dourar.
No microondas: colocar todos os ingredientes num saco com fecho zip e cozer no microondas a 900W durante 12 minutos, ou até os vegetais estarem tenros e cozidos.
Colocar os vegetais assados numa trituradora, adicionar o queijo creme e triturar até ficarem desfeitos mas ainda com alguma consistência - a ideia não é fazer um puré, mas deixar ainda boas partes para trincar.
Numa travessa de forno larga o suficiente para caberem duas folhas de lasanha uma ao lado da outra, regar a base com um fio de azeite e cobrir com duas folhas de lasanha. Cobrir com uma dose generosa de parmesão acabado de ralar e um 1/3 da mistura dos vegetais. Repetir com mais duas vezes com duas folhas de lasanha, azeite, queijo e os vegetais, finalizando com as duas últimas folhas de lasanha, um fio de azeite e o parmesão em quantidade suficiente para que cubra toda a massa.
Levar ao forno a 180ºC durante cerca de 45minutos até a massa ficar cozida e o queijo gratinado.
Servir bem quente acompanhado de uma simples salada de espinafre, temperada com azeite e vinagre balsâmico, sal e pimenta a gosto.
a ouvir: Modern Drift - Efterklang
É assim que se eleva um simples (mas saboroso!) queijo de ovelha curado a um outro nível.
E é assim que se acompanha chouriço e bacalhau.
Aqui estão mais duas receitas publicadas na revista Magnifica de Outubro. As outras duas virão ainda antes de dia 1, prometo.

Queijo frito com manjericão
E porque quando o que se quer é o melhor das texturas e o melhor dos sabores toda a batota é bem-vinda: se o queijo não ficar bem mole e com aquele derretido apetitoso após o tempo na frigideira, levar 1 minuto ao micro-ondas. Tiro e queda.
2 queijos de ovelha curados, de pasta dura
2 dentes de alho, picados
2 ramos grandes de manjericão, talos e folhas picadas (ou as folhas de um ramo de alecrim fresco, tomilho, orégãos)
200ml de azeite
1 malagueta pequena, sem sementes e finamente picada
sal e pimenta preta fresca moída
Numa pequena taça, colocar todos os ingredientes menos os queijos e deixar assentar no mínimo 30 minutos. Cuidado com a quantidade de sal, uma vez que os queijos já são salgados.
Colocar o azeite aromatizado numa frigideira pequena, e adicionar mais se for necessário para que fique com uma profundidade de 1 dedo. Deixar a lume baixo para que aqueça lentamente. Quando o azeite estiver bem quente e o alho e as ervas começarem a alourar, adicionar os queijos e deixar fritar durante 4-5 minutos a lume baixo para que vá aquecendo e amolecendo o interior sem queimar o exterior. Entretanto ir regando ocasionalmente os queijos com o azeite da frigideira. Quando estiverem dourados virá-los com uma espátula e fritar mais 4-5 minutos até que estejam bem moles e cedam ao serem pressionados com a espátula contra a base da frigideira.
Colocar os queijos num prato aquecido, regar com o azeite da frigideira e servir de imediato, acompanhado com uma fatia de pão fresco.
serve 4

Bruschetta de bacalhau com feijão verde e molho de chouriço e tomate
Quando escrevi esta receita estive até à última para decidir se a serviria como salada quente com croutons ou como bruschetta. Acabei por optar pela segunda por ficar mais bonita na fotografia, mas de certo que o crocante dos croutons fará um prato divinal (e muito mais prático de comer, porque comer esta bruschetta é tarefa tão difícil como comer um hambúrguer do McDonalds).
1 pão de Mafra pequeno
2 postas de bacalhau demolhado
200g de feijão verde
4 rodelas de chouriço, cortadas em tiras finas
2 tomates, sem pele e cortados aos cubinhos
2 colheres de sopa de azeite
3 dentes de alho
½ cebola, picada
piri-piri
sal e pimenta preta fresca
½ colher de chá de pimentão doce
1 folha de louro
Cortar o feijão verde ao meio e longitudinalmente. Colocar numa panela com as postas de bacalhau, água e um fio de azeite. Cozer, escoar o líquido e reservar.
Numa frigideira, colocar o azeite, dois dentes de alho picados, a cebola, o louro, a lume médio, até o alho começar a alourar. Juntar o chouriço e o tomate, uma pitada de piri-piri, o pimentão e um pouco de pimenta. Deixar cozinhar cerca de 10 minutos, ou até o molho engrossar e os sabores intensificarem. Juntar um pouco de água ou azeite se começar a secar muito e corrigir os temperos, se necessário. Entretanto, abrir o pão ao meio, regar com um fio de azeite, esfregar com o um dente de alho cortado ao meio e colocar sobre uma grelha quente, até ficar tostado.
A esta altura, o molho de tomate e chouriço pode ser servido directamente da frigideira ou triturado numa liquidificadora até ficar com uma consistência homogénea.
Num prato, colocar uma fatia de pão com a face cortada para cima, cobrir com o feijão verde, regar com um pouco mais de azeite e cobrir com o chouriço. De seguida, cobrir o bacalhau com o molho, finalizar com um fio de azeite e pimenta preta fresca moída e servir de imediato.
serve 2
Estive assim |-| para não sair de casa.
Não é que não goste deste tempo, eu adoro. Mas comigo em casa de roupão e incenso tibetano no ar.

Omelete de pesto e queijo fresco
Esta é das receitas mais fáceis e saborosas de fazer, incrível como 3 ingredientes (está bem que o pesto tem montes de componentes, mas francamente, who cares?) resultam numa coisa tão saciante e cheia de sabor. Faz-se em 3 tempos. E eu que gosto da minha comida bem temperada e ponho pimenta em tudo não utilizei nem uma pitada de sal ou pimenta.
4 colheres de sobremesa de pesto
12 ovos (divididos em 4 doses de 3 e batidos levemente)
3 queijos frescos, espremidos para não soltarem água
sal e pimenta, a gosto
Cortar cada queijo fresco em 4 rodelas. Dividir os ovos em 3 por quatro tigelas e batê-los ligeiramente.
Numa frigideira pequena, colocar 1 colher de pesto a lume médio. Espalhar bem o pesto da frigideira e, quando estiver quente, adicionar 3 ovos e deixar cozer, mexendo ligeiramente com a colher de fora para dentro para que coza as partes líquidas. Com ma espátula ajudar o ovo a descolar-se das bordas. Ir mexendo ligeiramente a frigideira para que coza homogeneamente. Quando começar a assentar, adicionar 3 rodelas de queijo fresco numa metade da omelete e deixar cozer até começar a derreter. Quando o ovo estiver quase assente, dobrar com a ajuda da espátula a metade sem o queijo sobre a outra, formando um semi-círculo. Deixar fundir as duas metades com o queijo até que fique cozido a gosto, deslizar da frigideira para um prato e servir de imediato.
Batota: se o queijo não ficar tão derretido como gostariam e o ovo estiver ainda um pouco por cozer, coloquem a omelete 1 minuto no microondas: tiro e queda. Estão a ver mozzarella derretido? Fica tal e qual. :)
serve 4
a ouvir: Paradise Circus - Massive Attack

Uma coisa que certamente não faltará na compilação gastronómica deste blog serão receitas alentejanas. Cozinha italiana, incontornável sim. Asiática, de valor inegualável. Mexicana, maravilhosa. Indiana, sim senhor. Gaúcha ou bahiana, grega, francófona, anglo-saxónica, americana, todas repletas de uma riqueza gastronómica única, para quem as souber explorar. Mas a portuguesa é a melhor. E a alentejana a melhor da melhor. Adoro o peso da tradição, a presença obrigatória de certos alimentos, a simplicidade na confecção e a sua riqueza inerente, as mãos de quem sabe o que faz e a dedicação a um legado familiar, dos que fazem e ensinam e dos que urgem por aprender.
Não faço que estão de fazer o ensopado de borrego da minha avó, a carne de porco frita, o cozido à portuguesa, a açorda de alho ou as migas à alentejana. É comida de avó e para ser apreciada com a avó, e com a familia. No entanto aprendo a fazê-la para continuar a tradição, para manter viva essa pequena herança, para lhe ganhar a mão da minha avó e para os que vierem possam ter tanto prazer em comê-la como eu hoje tenho.
Misturo a tradição, a familia, comida alentejana e comida portuguesa no mesmo texto porque é difícil falar de uma sem mencionar outra.
Não dá para falar de tradição sem falar de comida portuguesa, que por sua vez não pode ser dissociada da comida alentejana. Não dá para falar de comida alentejana e não falar em pão, queijo, azeite e alho. E não dá para falar neles sem falar na avó.

Açorda de queijo e Espinafres
variações: acrescentar chouriço, bacalhau, pescada, talvez um pouco de colorau e mais não arriscaria. Plain and simple.
8 dentes de alho, descascados e esmagados
100ml de azeite
1 molho grande de coentros, picados
350g espinafres frescos (2 embalagens)
2 queijos pequenos de cabra curados atabafado (Bilores por exemplo), cortados em 4
4 ovos
água
sal q.b
1 pão alentejano
Numa panela grande, refogar o alho no azeite, adicionar os coentros quando o alho começar a alourar e deixar apurar.
De seguida, adicionar os espinafres, o queijo e cerca de 1,6l de água, ou até que cubra tudo. Deixar levantar fervura e cozer até que o queijo esteja mole ao espetar com um garfo e os espinafres bem cozidos, cerca de 20 minutos. Entretanto, quando a água ferver, adicionar cada ovo um a um à panela e escalfar até ao final da cozedura (este passo pode ser feito durante a cozedura do queijo). Não mexer a panela para não desfazer os ovos. No final, adicionar uma boa quantidade de sal, provar e deixar apurar.
Migar o pão numa tigela em pedaços médios de cerca de 1 dedo de espessura, ensopar com o caldo e servir bem quente a acompanhar o resto da açorda.
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Já não vou há praia há mais de um mês. Podia ter acordado hoje super cedo, perder mais de três horas em transportes para ficar outras três de papo para o ar, correndo o risco de não aguentar com o calor e o mar estar demasiado frio ou a água demasiado forte para me tirar a vontade de mergulhar? Podia, mas não era a mesma coisa.
O meu corpo pede por uma cama, as minhas mãos por um corta-unhas e um creme ultra-hidratante, o meu sofá nunca me pareceu tão apetecível, a minha cabeça anseia por um bom livro e a minha boca por uma salada fria monumental, recheada de legumes frescos, uma quantidade bem generosa de salsa e envolvida nos temperos mais simples, frescos e maravilhosos de sempre.
A vantagem de ter desejos singelos é que a probabilidade de serem realizados é quase certa.
(agora desejo encontrar a minha carteira…)

Salada fresca de Quinoa com Vegetais Lâminados
35g de flocos de quinoa
1/2 de courgette média
1/4 de cebola
1/4 de pimento vermelho
1 tomate-chucha
30g de queijo feta
sal e pimenta q.b
azeite
sumo de 1 rodela grossa de limão (cerca de 1cm)
1 pitada de flocos de malagueta secos e moídos (opcional)
4 ramos de salsa
Ao adicionar o sal é necessário verificar se a quinoa já não está salgada o suficiente da cozedura e não esquecer também que o feta é por si só um queijo bastante salgado, pelo que não será necessário adicionar muito sal. As quantidades apresentadas são, obviamente, apenas uma referência. Como quero a minha salada bem húmida com os temperos gosto de uma boa dose de sumo de limão e muita muita salsa a acompanhar. A quinoa obviamente pode ser substituída por uma massa curta, mesmo couscous, ou até por uns croutons simples, conferindo uma textura estaladiça maravilhosa.
Preparar a quinoa de acordo com as instruções da embalagem. Reservar para deixar arrefecer, ou então, para um processo mais rápido, passar por água fria num escoador fino e retirar bem a água.
Com uma mandolina, laminar a courgette e o pimento longitudinalmente, em tiras longas. Fatiar o tomate em rodelas de 1/2 cm e laminar a cebola finamente.
Depois de a quinoa arrefecer, juntá-la a todos os vegetais numa grande tigela, temperar com sal e pimenta, o azeite, o sumo de limão e uma pitada dos flocos de malagueta. Retirar os talos maiores dos ramos de salsa, picar as folhas grosseiramente e adicionar 2/3 ao prato. Envolver tudo com as mãos, para garantir que todos os alimentos ficam igualmente bem temperados.
Povilhar com o feta desfeito grosseiramente, o resto das folhas de salsa e servir.
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a ouvir: Road to Somewhere - Goldfrapp

E foi assim que aconteceu: recebi na 5ª feira passada as minhas primeiras encomendas.
E porque não? Gosto de cozinhar e, mais que isso, gosto de cozinhar para os outros. E se eles estão dispostos a contribuir para a minha magra carteira em troca de uma boa garfada, hey, venham daí!
Assim sendo, se alguém quiser doces ou salgados, sopas, tartes e bolos, bolachas e biscoitos, carne ou peixe, galletes, compotas e geleias, scones, pizzas, brownies ou mesmo umas trufas - you name it! - façam os vossos pedidos para o animaemanifestum@gmail.com.
E que melhor maneira para começar que uma gorda tarte de maçã e uma tarte de queijo com frango e alho francês?
Não há fotografia da tarte de maçã, mas os ingredientes a dobrar que sobraram da tarte de queijo estavam a pedir para ser repetida, et voilá, aqui está.
Um obrigado especial à minha primeira cliente, que foi a grande despoletadora desta nova “manifestação” do Animae.
A receita? O segredo é a alma do negócio ;)

Tarte de frango e alho-francês com estragão e comté
E foi mais um belo jantar de turma, que POR ACASO foi no Senhor Tempero. E uma vez que a especialidade da casa não passa pelos doces, a sobremesa ficou a meu cargo.
Modéstia à parte, e porque não se pode agradar a gregos e a troianos, pessoalmente fiquei radiante com o resultado, pela principal razão de ser uma ideia totalmente minha (fora o shortbread). Qualquer coisa como: morangos macerados em redução de balsâmico com shortbread em cama de creme de queijo.
Soa estranho (muitas abordagens sobre o balsâmico!), soa bem, sabe bem.

Morangos macerados em redução de balsâmico com shortbread em cama de creme de queijo
1 receita de shortbread
1kg de queijo quark
400g de queijo creme
120-140g de açúcar branco (desculpem a falta de rigor, fui adicionando açúcar às colheres de sopa e parei com 12 colheres, na doçura que me pareceu ideal)
raspa de 1 laranja
sumo de 1/2 laranja
raspa de 1 limão
1 c.chá extracto de baunilha
1-2 folhas de gelatina, opcional
48 morangos (cerca de 1kg)
1 1/2 cháv. (360ml) de vinagre balsâmico
1/2 cháv. (120 ml) mel claro
Creme de queijo: numa grande tigela, bater o quark e o queijo creme com uma colher de pau (ou batedeira se preferirem) adicionando o açúcar gradualmente (não exagerar muito, uma vez que falta adicionar os restantes ingredientes). Juntar o sumo de laranja e envolver, seguido da raspa de laranja e limão. Envolver bem, adicionar o extracto de baunilha e envolver novamente até que fique um creme homogéneo. Provar, rectificar com mais açúcar se necessário, e reservar tapado no frigorífico, no máximo 1 dia.
(A textura do creme ficará bastante cremosa. Para adquirir uma maior consistência, adicionar as folhas de gelatina, preparadas conforme as instruções da embalagem).
Morangos em redução de balsâmico: colocar o vinagre e o mel numa panela de fundo pesado e deixar ferver a lume alto. Reduzir o lume a médio e deixar o vinagre reduzir a metade do volume, até ficar espesso o suficiente para cobrir as costas de uma colher (fiz o dobro da receita e levou-me pelo menos umas boas 2 horas). Retirar do lume e manter aquecido até servir.
Sugestões de montagem: Esta é a tricky part. Demorei algum tempo até decidir qual seria a melhor opção, para que todos elementos melhor se complementassem sem se arruinarem uns aos outros. Independentemente do tipo de montagem, aconselho a que seja feita na hora, para que os morangos não sequem, o molho continue brilhante e o shortbread não amoleça nem se afunde no creme de queijo.
1 - Num prato de sobremesa, colocar uma concha do creme de queijo, uma fatia de shortbread ao alto, ladeada dos morangos cortados aos cubos com cerca de 1-1,5cm. Regar com a redução de balsâmico e servir de imediato.
2 - Numa taça de sobremesa, colocar nas seguintes ordens:
shortbread desfeito ou partido aos pedaços, creme de queijo, morangos e balsâmico;
creme de queijo, morangos, balsâmico e shortbread desfeito.
Refrigerar até servir.
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a ouvir: TODAS dos The Beatles
Se tem queijo de cabra de nome francês - chèvre, um vegetal pouco usual - beterraba, cogumelos de nome esquisito - pleurothus, rúcula, um fio de mel, pimenta e um tempero difícil de distinguir, então é gourmet.

E não precisa de compotas nem azeites aromatizados da Qta. de Jugais ou da Casa da Prisca.
a ouvir: Dancemos no Mundo - Sérgio Godinho & Clã
A cura (provisória) de desequilíbrios, desejos, tempo feio e outras maleitas.

por camadas, de baixo para cima:
fatia de pão
mostarda
rúcula e espinafres
tomate com balsâmico, sal e pimenta
queijo flamengo
cogumelos grelhados com limão, malagueta e orégãos
bacon grelhado
fatia de pão.
E hoje estreio-me nos cheesecakes para o ST. Fingers crossed.
a ouvir: Insensatez - Tom Jobim

faz uma pithivier - nome francês para tarte de massa folhada fechada - de abóbora.
Avizinham-se tempos de mudanças para mim, em mim. Necessidades de reforçar certos valores, ajustar perspectivas, redefinir comportamentos e equilibrar, melhor, acalmar, a minha mente e o meu espírito. Sejam visíveis ou não, certamente serão sentidas por mim, em mim. E espero que a longo prazo me tragam certas “coisas”, bens essenciais digamos, que sinto estarem em falta desde há um largo tempo na minha vida.
Entretanto vou satisfazendo as bocas para alimentar cá em casa, aquecendo estômagos, almas e as mãos frias destes dias frios e escuros que teimam em ficar.
Desta feita com uma tarte com abóbora do avô e um roquefort bolorento e delicioso.
E para que nada se desperdice, a acompanhar vai uma salada de rúcula com umas deliciosas sementes de abóbora, mais conhecidas por pepitas, assadas com sal e azeite.

Pithivier de abóbora
adaptado da Revista Blue Cooking nº53
2 embalagens de massa folhada
500g de abóbora em fatias de 0,5-1cm de grossura
200g de queijo roquefort
1 c.sopa de salva picada
2 dentes de alho picados
1 1/2 c.sopa de pão ralado
1 ovo batido para pincelar
Estender uma das massas folhadas sobre uma base de ir ao forno coberta com papelvegetal.
Numa taça, misturar o roquefort despedaçado com o pão ralado, os dentes de alho bem picadinhos e a salva, também bem picada. Envolver tudo bem e reservar.
No centro da massa estendida começar a colocar a abóbora em círculos, deixando 2-3cm de distância das margens. Por cima, espalhar parte da mistura do roquefort e cubrir com mais uma camada de abóbora, de diâmetro ligeiramente menor que a primeira camada. Finalizar com o resto dos ingredientes.
Cobrir com a segunda massa folhada. Calcar as duas massas nas bordas e enrolar para dentro de forma a fechar a tarte. Pincelar com o ovo, fazer um pequeno buraco no centro do topo e decorar com cortes ligeiros em volta da tarte.
Levar ao forno a 200ºC durante 30-45 minutos, até a massa estar dourada e a abóbora estar tenra ao inserir um palito.
Servir acompanhada de uma salada de rúcula com pepitas, temperada com sal, azeite e vinagre balsâmico.
serve 4-6